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   Chega o grande dia. Todo mundo ali, sorrindo com aquela alegria forçada que só uma confraternização corporativa consegue proporcionar. Então começam os discursos, uma obra prima de falsidade:
— “Meu amigo secreto é uma pessoa muito especial…”
Mentira. Você não sabe nem o sobrenome dela. Talvez nem o nome.

   Aí começa o desfile de tragédias materiais: meia com estampa duvidosa, shampoo de hotel que alguém fingiu ter comprado, chocolate derretido, kit de escritório que parece brinde de banco. Tudo embalado como se fosse ouro, entregue como se fosse um presente divino, recebido como se fosse castigo kármico.

   Mas tem um lado positivo: Você pode se vingar daquele seu colega encostado dando uma caneca com frase motivacional do tipo “Faça acontecer”, porque nada mais diz “feliz Natal” como uma indireta passivo-agressiva.

   No dia da revelação, todos fingem surpresa. Alguém sempre fala “nossa, eu NUNCA imaginaria!”, enquanto olha para o colega que claramente errou de temática e entregou um porta-caneca em formato de rinoceronte roxo para o gerente de finanças.

   No final, todos agradecem com aquele sorriso de “quero ir embora AGORA”, tiram a foto mais forçada da história e ainda ousam dizer:
— “Ano que vem de novo, né?”
   Claro. Porque aparentemente ninguém aprende nada.

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