Chega o verão e, com ele, o sol em modo vingança ancestral. Não é calor. É um abraço tóxico do astro-rei, que transforma qualquer ser humano em um frango de padaria em rotação lenta. A gente sai de casa limpo, cinco minutos depois já parece que correu uma maratona carregando um colchão nas costas.

O desodorante vira uma promessa não cumprida.
O cabelo entra em greve.
A dignidade derrete na calçada junto com o asfalto.

E então vem a ilusão chamada férias.

Férias são aquele momento mágico em que você paga caro pra dormir mal, comer areia e discutir com um GPS que só te leva pra lugares onde o Wi-Fi não existe e o chuveiro só tem duas opções: “água gelada de polo sul” ou “lava vulcânica”.

A praia, esse grande deserto molhado, entrega o combo: sol na retina, farofa na coxa, criança gritando em Dolby Surround e um tio de sunga neon que ninguém pediu.

Você volta das férias mais cansado do que saiu, com a alma desidratada e um bronzeado que parece erro de impressão.

Mas o verão não termina sem sua obra-prima do caos: o Carnaval.

Ah, o carnaval… o momento em que a cidade vira um grande teste de sobrevivência social. Gente suada abraçando desconhecidos, glitter entrando em regiões nunca mapeadas pela ciência, e um batuque que atravessa paredes, corações e contratos de aluguel.

O chão é um mosaico de latinha, confete e arrependimento.
O banheiro químico é um portal para o submundo.
E você, no meio disso tudo, se perguntando: “Eu realmente achei que isso era uma boa ideia?”

O verão é assim: uma estação que promete alegria, mas entrega insolação emocional, sandália quebrada e uma saudade profunda do ar-condicionado.

Quando ele finalmente vai embora, a gente não sente falta do sol.
Sente falta de ser uma pessoa seca, silenciosa e com limites.

Amém.

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