A Páscoa está chegando. Dá para perceber não pelo coelhinho saltitante nem pela mensagem de renovação espiritual. O verdadeiro sinal é quando o preço dos ovos de chocolate aparece no mercado como quem acabou de fazer um curso intensivo de inflação avançada.

    Você entra no supermercado com a inocência de quem só queria um chocolatinho… e sai de lá fazendo cálculos dignos de uma olimpíada de matemática. Um ovo médio custa o equivalente a três almoços executivos, meia parcela do IPVA e talvez uma pequena fração da sua dignidade financeira.

     O mais impressionante é a engenharia do produto. O ovo vem numa caixa do tamanho de um micro-ondas, cheio de papel colorido, plástico, fitinha, berço de papelão, manual de instruções emocional… e lá dentro, um ovo oco. Oco. Um monumento gastronômico ao ar. Se vendessem vento embalado em celofane dourado, provavelmente também seria edição limitada.

      E o marketing ajuda a transformar chocolate em artigo de luxo. Tem ovo com boneco, ovo com colher, ovo com surpresa, ovo com outro ovo dentro… daqui a pouco vai ter ovo com financiamento em 12 vezes e análise de crédito.

     No fim das contas, a Páscoa vai chegando e a população começa a fazer escolhas maduras: ou compra o ovo… ou paga a conta de luz. A espiritualidade sobe, porque muita gente acaba celebrando a data apenas com fé, oração e uma barra de chocolate dividida em oito pedaços estrategicamente democráticos.

E o coelhinho?
Ah, o coelhinho deve estar rindo.
Porque, convenhamos… quem realmente bota esses preços não é ele.


Posted in

Deixe um comentário