

E assim, sem pedir licença, o Carnaval vai embora.
Sai de fininho, tropeçando em serpentinas amassadas, deixando para trás copos esquecidos, glitter infiltrado até na alma e aquela sensação agridoce de “foi bom enquanto durou… talvez bom demais”.
A quarta-feira de cinzas chega como aquele amigo sensato que invade a festa às 7h da manhã dizendo: “acabou, campeão”.
Depois de dias vivendo no modo alegria sem consequências, o brasileiro desperta com glitter até em lugares que a ciência ainda não catalogou, a fantasia jogada num canto e uma vaga lembrança de decisões questionáveis.
O corpo pede repouso, a alma pede silêncio… mas o boleto, esse ser místico e impiedoso, pede pagamento.
É nesse momento que a ficha cai mais rápido que confete em ventania: o ano começou. Sim, agora vai. Janeiro foi só um trailer, fevereiro um delírio coletivo patrocinado pelo calor e pela falta de juízo. A vida real, aquela com despertador, planilha e café requentado, finalmente entra em cena.
A quarta-feira de cinzas não perdoa. Ela vem com sua vibe meio filosófica, meio contábil: “lembra que você é mortal… e que o cartão também vence dia 10”. É quase um retiro espiritual involuntário, onde você reflete sobre suas escolhas enquanto calcula se ainda dá pra parcelar a dignidade em 3 vezes sem juros.
E assim seguimos. Com ressaca, esperança e um leve desespero financeiro. Porque se o carnaval foi o auge da ilusão, a quarta-feira de cinzas é o plot twist: a vida não é um bloquinho… mas insiste em cobrar ingresso.
Feliz ano novo real. Agora valendo.


Deixe um comentário