Carnaval não se brinca. Carnaval se sobrevive.

É aquela época em que você acorda sem saber se dormiu, caminha sem saber pra onde vai e sorri pra desconhecidos como se fossem primos distantes. “É só uma vez por ano!”,

   As pessoas, antes cidadãs respeitáveis, passam por uma metamorfose zoológica:
viram criaturas místicas conhecidas como Homo Glitterus Desorientatus.

   A trilha sonora é um carnaval dentro do carnaval. Em um quarteirão toca axé, no outro toca funk, mais adiante um samba antigo, e no meio disso tudo alguém grita: “essa é a minha música!”. Spoiler: é a música de todo mundo.

   O calendário vira purpurina, o relógio perde a dignidade e a vida entra em modo “deixa fluir que a marchinha resolve”.

   O Carnaval não acaba.
Ele se infiltra.
   Fica nos poros, no ouvido, no WhatsApp, no histórico de fotos vergonhosas e naquele glitter que você vai encontrar em julho, num lugar que a ciência ainda não catalogou.

   No fim, você volta pra casa com glitter até nos pensamentos, um sorriso torto no rosto e a sensação de que, por alguns dias, o mundo virou um enorme salão onde todo mundo é feliz… nem que seja só até quarta-feira.

   Quando chega a quarta-feira de cinzas, sobra o silêncio, a ressaca moral e uma vaga lembrança de que você jurou nunca mais…

   Até o próximo fevereiro, quando o meteoro volta, com mais brilho, menos juízo e o mesmo caos.

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