O verão chega sem bater na porta, senta no sofá, liga o ventilador no máximo e ainda reclama do calor. É a estação em que o sol resolve brilhar em modo ostentação, como vilão principal.

     O asfalto vira chapa de hambúrguer e a sombra passa a ser o bem mais disputado da humanidade.

     Promete alegria, e sai deixando desidratação e queimaduras. O sol testando a resistência humana e fritando pensamentos a 40 graus à sombra.

     O sorvete vira filosofia de vida, o ar-condicionado vira melhor amigo e o ventilador assume o papel de confidente íntimo, espalhando segredos e cabelos pela sala.

     É tempo de roupas mínimas, paciência mínima e dignidade opcional. O corpo pede praia, piscina ou, na falta de opções, um banho demorado que termina com a pergunta existencial: “Por que eu ainda estou quente?”. O chuveiro vira spa, o gelo vira artigo de luxo e o copo sua mais que você.

     Mas o verão também tem seus encantos: dias longos, risadas fáceis, céu azul exagerado e a desculpa perfeita para adiar qualquer coisa com a frase mágica “calor demais pra isso”.

É a estação em que a vida desacelera, derrete um pouco e lembra que, apesar do suor, ainda dá pra ser feliz… desde que exista sombra, água fresca e Wi-Fi.

     O verão não é uma estação. É um teste psicológico coletivo, aplicado anualmente, sem direito a segunda chamada.


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