
Resoluções de ano novo são algo etéreo, indefiníveis, como a intenção de alguém que nos deseja “Feliz Ano novo”.
A lista é ambiciosa. Acordar cedo. “Vou pra academia.” Janeiro inteiro indo… passar na frente. “Vou comer saudável.” “Vou pagar aquea dívida do cartão e economizar”.
Tem ainda a clássica resolução emocional: “Não vou me estressar.” Dura até a primeira reunião, o primeiro grupo de família no WhatsApp ou o primeiro “e aí, já voltou pra rotina?”. A paz interior foge de chinelo, sem olhar pra trás.
Começar a cumprir as metas de Ano Novo é aquele momento mágico em que a fantasia encontra a realidade e a realidade ri, gargalha e fecha a porta.
Você acorda decidido. Hoje começa a nova versão de você mesmo, edição limitada, motivada e hidratada. A meta da academia entra em vigor imediatamente… assim que você encontrar a roupa certa, o tênis certo e uma razão plausível para não ir hoje, mas amanhã com certeza.
A dieta também começa firme. Café da manhã equilibrado, almoço consciente, pensamento positivo. Às 16h, você está encarando um pão com manteiga como quem encara um ex tóxico: sabe que não devia, mas o passado tem sabor. Três dias depois, você está negociando com a lasanha como se fosse um tratado internacional.
“Esse ano vai ser diferente.” Vai mesmo. As datas mudam, o calendário troca de roupa, mas você continua fazendo planos grandiosos enquanto come o resto do panetone com culpa moderada e esperança intacta.
Cumprir metas de Ano Novo não é sobre disciplina. É sobre negociar consigo mesmo, trapacear com elegância e fingir que “adaptação de objetivos” não é desistência disfarçada. Janeiro passa, fevereiro flexibiliza e março oficializa: as metas continuam lá, intactas, esperando o próximo Ano Novo para serem ignoradas com ainda mais maturidade.
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